quarta-feira, 14 de junho de 2017

Cristo não é nosso mediador segundo as Testemunhas de Jeová

Da próxima vez que uma Testemunha de Jeová bater à sua porta, pergunte a ela quem é nosso mediador.

A Testemunha muito provavelmente responderá que nosso mediador é Jesus Cristo. Ela pode acreditar piamente que Cristo é o mediador dela, embora, quanto ao você, ela talvez queira apenas ser educada ao dizer que Jesus também é seu mediador.


Mas a Testemunha de Jeová que acredita ter a Jesus como mediador também está enganada. Segundo sua liderança, o Corpo Governante, Jesus Cristo é mediador apenas de uma classe dentre as Testemunhas que professam ser ungidos com espírito santo.

A Sentinela de 15 de setembro de 1979, página 32, foi bem taxativa:


De modo que, em estrito sentido bíblico, Jesus é o “mediador” apenas dos cristãos ungidos.


Esse conceito também foi declarado na obra Estudo Perspicaz, conforme pode ser visto no Índice das Publicações da Torre de Vigia.




O que diz a Bíblia.

A declaração da Sentinela parece ir de encontro às claras palavras de Paulo a Timóteo:

Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens [isto é, a humanidade]: um homem, Cristo Jesus (1 Timóteo 2:5).

Desde os tempos dos primeiros cristãos, todos que aceitavam a Cristo como seu salvador pessoal tinham a ele como seu mediador pessoal junto ao Pai.

Rejeitar a Cristo como nosso mediador significa condenação, pois, por sermos pecadores de nascença, não somos dignos de nos achegar diretamente ao Pai.

Esse conceito está em harmonia com as palavras do apostolo João...

Porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna (João 3:16).

...E com declarações do próprio Jesus Cristo.

Jesus lhe respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim (João 14:6).

Cristo foi tido por mediador de todos os cristãos pelos dois milênios que se seguiram à morte dele...Até que chegou no cenário mundial as Testemunhas de Jeová, com sua liderança autointitulada teocrática, que tomou para si a autonomia de ditar para os fiéis a interpretação correta de cada versículo da Bíblia, e cuja interpretação deve ser acatada por todas as Testemunhas, que estão sob ameaça de serem expulsas como apóstatas, caso a rejeitem.


O que motivou o conceito

Tudo começou por volta da década de 1930, quando Joseph F. Rutherford dividiu as Testemunhas de Jeová em duas classes: Segundo a explicação dele, que é mantida até hoje pela liderança atual, um pequeno grupo de Testemunhas ungidas devem completar o número de 144 mil cristãos que reinarão com Cristo no céu, ao passo que as demais, que hoje é a vasta maioria dos membros, ficarão na Terra e serão os súditos do Reino.

Até aquela época, Cristo era o mediador de todos os cristãos Testemunhas de Jeová, visto que membros de outras religiões, no conceito da liderança, já só tinham a Cristo como mediador na ilusão.

Então, depois de dividida as Testemunhas em duas classes, Jesus Cristo foi sonegado como mediador também aos ditos súditos.

A base da explicação está no conceito de pactos, conforme consta na Bíblia. O Velho Testamento apresenta-nos o pacto de Deus com a nação de Israel, que tinha a Moisés como mediador. Jesus Cristo, segundo o Novo Testamento, é o mediador do novo pacto, conforme versículos da carta de Paulo aos Hebreus:

No entanto, Jesus obteve agora um serviço mais excelente, porque ele é também o mediador de um pacto correspondentemente melhor (Hebreus 8:6).
É por isso que ele é mediador de um novo pacto, a fim de que os chamados recebam a promessa da herança eterna (Hebreus 9:15).
E de Jesus, o mediador de um novo pacto, e do sangue aspergido, que fala melhor que o sangue de Abel (Hebreus 12:24).

Que Jesus é o mediador do novo pacto, isso está escrito na Bíblia. O que não está escrito é que, nos dias atuais, apenas alguns membros dentre as Testemunhas fazem parte desse pacto que tem a Cristo como mediador. Nenhuma Testemunha de Jeová pode abrir a Bíblia e provar, nem mesmo para si mesma, que Jesus Cristo é mediador apenas daqueles dentre elas que professam ser ungidos.

Esse conceito só pode ser aceito como válido se se aceitar como válido outro conceito fundamental da religião: aquele que estabelece que Cristo e Jeová, em 1919, dentre todas as religiões, escolheram as Testemunhas de Jeová para representá-Los na Terra. A validade deste conceito, por sua vez, está a depender da validade de outro: aquele que estabelece a data de 1914 como ano em que Jesus Cristo, no céu, tomou posse como Rei do Reino de Deus. A data de 1914, por sua vez, foi estabelecida, segundo os cálculos da religião, com base na data de 607 a.C., que a religião das Testemunhas definiu como sendo a data da destruição da Jerusalém antiga – uma data que difere em cerca de 20 anos da data estabelecida pelos historiadores, que é 587/586 a.C. A última vez que a liderança das Testemunhas  defendeu a sua data foi em uma série de dois artigos da Sentinela, no ano de 2011, que podem ser acessados aqui e aqui. Estes artigos, porém, não citam um único historiador para atestar sua fidelidade. Os artigos, que foram brilhantemente contestados por Carl Olof Jonsson (aqui e aqui), são, em si, uma evidente prova de que a liderança das Testemunhas de Jeová, o Corpo Governante, não pode apresentar argumentos convincentes de que lidera a única religião verdadeira em nossos dias.


De quem Cristo é mediador

A liderança das Testemunhas de Jeová não admite que haja cristãos verdadeiros nas religiões cristãs, ou na “cristandade”, para usar o termo preferido do Corpo Governante. No entanto, este conceito só é válido para os dias atuais, época em que a salvação só está disponível a quem é Testemunha de Jeová. Para a época anterior ao surgimento desta religião, que foi por volta de 1870, o Corpo Governante admite que, pelos séculos que se seguiram à morte de Cristo, sempre houve cristãos “ungidos”. O Corpo é praticamente forçado a esse reconhecimento em razão da parábola do joio e do trigo, onde Jesus Cristo disse que, depois da sua partida, sempre haveria cristãos verdadeiro (o trigo) em meio aos cristãos falsos (o joio), bem como devido às Suas palavras registradas em Mateus 28:20.

Falando a respeito do trigo e do joio, Jesus disse: “Deixai ambos crescer juntos até a colheita.” Essa ordem revela que, desde o primeiro século até hoje, sempre tem havido na Terra alguns cristãos ungidos comparáveis ao trigo. Essa conclusão é confirmada pelo que Jesus disse mais tarde aos seus discípulos: “Estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas. ” (Mat. 28:20) (A Sentinela de 15 de julho de 2013, página 10).

Esses cristãos “ungidos”, segundo a Torre de Vigia, pertenciam a diferentes religiões bem como também podiam ser encontrados entre os que apostataram das religiões principais.

A Sentinela de janeiro de 2012, página 7, sob o título “Os cristãos verdadeiros respeitam a palavra de Deus", citou alguns exemplos: 

Numa parábola, Jesus indicou que, do primeiro século em diante, sempre haveria na Terra alguns genuínos cristãos ungidos. Ele os comparou a “trigo” crescendo no meio de “joio”. (Mat. 13:30) Naturalmente, não podemos dizer com certeza quais pessoas ou grupos pertenciam à ungida classe do trigo, mas podemos afirmar que sempre houve alguns que corajosamente defenderam a Palavra de Deus e expuseram os ensinos não bíblicos da Igreja. Vejamos alguns exemplos. O Arcebispo Agobardo, de Lião, França (779-840 EC), pronunciou-se contra adoração de imagens, igrejas dedicadas a santos e liturgias e práticas não bíblicas da Igreja. Um de seus contemporâneos, o Bispo Cláudio, também rejeitou as tradições da Igreja e objetou a orações a santos e veneração de relíquias. No século 11, o Arquidiácono Berengário de Tours, França, foi excomungado por ter rejeitado o ensino católico da transubstanciação. Além disso, ele sustentava que a Bíblia é superior às tradições da Igreja.

O livro Proclamadores do Reino, página 44, também cita exemplos de possíveis cristãos verdadeiros:

O verdadeiro cristianismo nunca foi completamente eliminado. Através dos séculos sempre houve os que amaram a verdade. Mencionando-se apenas alguns: João Wicliffe (c. 1330-1384) e Guilherme Tindale (c. 1494-1536) promoveram a tradução da Bíblia com o risco de sua própria vida ou liberdade. Wolfgang Fabrício Capito (1478-1541), Martin Cellarius (1499-1564), João Campanus (c. 1500-1575) e Thomas Emlyn (1663-c. 1741) aceitaram a Bíblia como Palavra de Deus e rejeitaram a Trindade. Henry Grew (1781-1862) e George Storrs (1796-1879) não só aceitaram a Bíblia e rejeitaram a Trindade, mas também expressaram seu apreço pelo sacrifício de resgate de Cristo. Embora não possamos identificar positivamente nenhuma dessas pessoas com “o trigo” da ilustração de Jesus, certamente “Jeová conhece os que lhe pertencem”. — 2 Tim. 2:19.

Se esses eram cristãos verdadeiros, então tinham eles a Jesus Cristo como mediador, independente de se pertenciam à religião católica, a religiões evangélicas, ou a nenhuma dessas. O Corpo Governante não pode negar esse fato, a menos que negue que houve cristãos verdadeiros por toda a era cristã até agora. 

O Corpo Governante refere-se a esses cristãos como “ungidos”, mas este termo é absolutamente desnecessário, uma vez que, segundo ele própria, somente por volta da década de 1930 passou a haver cristãos verdadeiros não-ungidos.

O fato é que, segundo o próprio Jesus Cristo, sempre houve e sempre haverá cristãos verdadeiros espalhados por todas as igrejas, e fora delas, por toda a era cristã, que se estenderá até sua volta, quando ele enviará os anjos e fará a separação entre o joio e o trigo.


Todos estes fazem parte do novo pacto e, portanto, Jesus Cristo, o mediador do novo pacto, é mediador de cada um deles.


Edição de 17 de junho de 2017


Em algumas páginas do facebook onde este artigo foi divulgado, Testemunhas e Jeová, talvez mesmo sem vir no blog e ler a postagem, contestaram as minhas afirmações com este artigo do site JW “Por que orar no nome e Jesus”.  Este artigo da Torre de Vigia não contraria a afirmação dela de que Jesus é mediador apenas dos ungidos Esses dois entendimentos coexistem na doutrina TJ. As Testemunhas são incentivadas a orar “em nome de Jesus”, enquanto se afirma que ele é mediador apenas dos que professam ser ungidos. Que Jesus é mediador apenas dos ungidos, foi reafirmado recentemente, na revista A Sentinela de 15 de janeiro de 2015, parágrafo 14, conforme pode ser visto abaixo. 




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4 comentários:

  1. Por mais que mostremos exemplos claros nas publicações quando estas afirmam que Jesus só é Mediador de 144 mil, muitas TJs continuam na teimosia afirmando algo que vai contra sua liderança. E ainda somos taxados de mentirosos, mesmo quando as provas estão aí expostas!

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  2. Daniel 12:
    4. E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará.
    10. Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados;
    mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá,
    mas os sábios entenderão.
    .
    http://osfilhosdaultimageracao.blogspot.ro/2017/06/a-besta-ferramenta-de-punicao.html
    .

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  3. Olá Lourisvaldo! Mais uma excelente matéria, e com certeza um das falhas mais graves das Tjs, pois ao se darem conta dela, muitos abriram os olhos e saíram da organização, outros se permitiram fazer uma pesquisa independente e fizeram o mesmo depois de descobrir outros erros graves dela. Abraços!

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  4. Eu saí. Hoje sou da igreja pentecostal Lirio dos Vales no Rj.

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